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Marrocos impõe respeito e Vinícius salva o ponto de um Brasil em apuros

O toque de cobertura de Ismael Saibari colocou Marrocos à frente no MetLife, e só um golaço de Vinícius Júnior e uma dupla defesa de Alisson no fim pouparam o Brasil de uma estreia constrangedora no Grupo C.

Durante meia hora no MetLife Stadium, quem parecia o gigante era a equipe de vermelho. Não o Brasil — Marrocos. Diante de 80.663 torcedores em Nova Jersey, a Seleção de Carlo Ancelotti chegava atrasada em tudo, corria atrás da sombra do adversário e perdia por um gol de pura ousadia. Que tenha saído de campo com o empate em 1 a 1 se deve inteiramente a um lampejo de Vinícius Júnior e, no fim, a um par de mãos de Alisson. Para Marrocos, um ponto contra o pentacampeão mundial na estreia soou quase como um recado.

Um início arrasador de vermelho

Marrocos não veio para admirar os favoritos. Veio para sufocá-los. Na primeira meia hora acumulou doze finalizações, dominou o meio-campo e transformou a saída de bola brasileira numa sequência de alívios nervosos e apressados. O gol, aos 21 minutos, foi tão inteligente quanto merecido. Brahim Díaz, surgindo nos espaços que o Brasil não conseguia fechar, deu um passe milimétrico entre as linhas. Ismael Saibari saiu nas costas de Gabriel e, em vez de bater forte, deu uma delicada cavadinha por cima de Alisson, que saía do gol. Foi o primeiro gol de Marrocos em Copas contra um adversário do porte do Brasil, e não teve nada de sorte.

O volume de chances marroquinas conta a história. Não foi um contra-ataque oportunista; por um longo período, foi simplesmente o time mais completo em campo. Sob o comando do novo treinador Mohamed Ouahbi — especialista em categorias de base lançado ao maior palco depois da saída de Walid Regragui em março — a estrutura, os gatilhos de pressão e a intensidade dos semifinalistas de 2022 seguiam intactos.

Uma pancada na bola e tudo muda

O Brasil passou dois anos aprendendo que, quando nada funciona, ainda pode entregar a bola a Vinícius Júnior e esperar. Aos 32 minutos, fez exatamente isso. Uma troca rápida com Bruno Guimarães liberou o ponta do Real Madrid em diagonal e, onde Saibari usou requinte, Vinícius usou violência — cortou para dentro no pé direito e curvou um chute lindíssimo no ângulo oposto. Do nada, o Brasil estava empatando.

Havia ali um detalhe discreto. Foi o décimo gol de Vinícius pela seleção, mas o primeiro que não terminou em vitória brasileira — os oito anteriores renderam três pontos cada. Um lembrete de que, mesmo brilhante, nesta noite o craque fez papel de salvador, não de protagonista de uma festa.

Marrocos se fecha e Alisson decide

Se o primeiro tempo foi da ousadia marroquina, o segundo foi da sua firmeza. Depois de jogar tudo para cima do Brasil cedo, os homens de Ouahbi baixaram a linha, fecharam os espaços e desafiaram a Seleção a furar o bloqueio. O Brasil não conseguiu. As chances que tinham surgido para Marrocos secaram para os dois lados — mas a mais clara caiu para os africanos já nos acréscimos.

Foi preciso Alisson em seu melhor nível. O goleiro do Liverpool deu rebote num chutaço de longe do substituto Neil El Aynaoui, com a bola sobrando à frente do gol. Caído no gramado, ele ainda se jogou para trás e esticou a mão direita para tirar o complemento de Ayoube Amaimouni. Uma dupla defesa de altíssima categoria, e a diferença entre o empate e uma vitória histórica de Marrocos.

O que significa no Grupo C

A tabela conta a história maior. Enquanto Brasil e Marrocos dividiram os pontos, a Escócia venceu o Haiti por 1 a 0 no outro jogo de estreia, sua primeira vitória em Copas desde 1990 — e é esse resultado, não este, que deixa os escoceses na liderança do Grupo C. O Brasil, surpreendentemente, aparece em terceiro depois de uma única rodada.

Ancelotti não escondeu a preocupação, admitindo estar "preocupado" com a atuação. A verdade honesta é que o empate que poucos previam no papel pareceu totalmente lógico no gramado: Marrocos era o time que muitos subestimaram, e provou o porquê. O Brasil agora enfrenta o Haiti na Filadélfia em 19 de junho, um jogo que de repente tem peso de obrigação, enquanto Marrocos encara a Escócia em Foxborough no mesmo dia, com fé real de que a ponta do grupo está ao seu alcance.

Para o Brasil, as perguntas são velhas conhecidas e incômodas: um indivíduo genial encobrindo um coletivo desconexo. Para Marrocos, a mensagem é mais simples e bem mais feliz — a campanha até a semifinal de 2022 não foi obra do acaso, e o novo treinador não tirou o veneno da equipe. Você pode reviver cada momento na página da partida, e o restante do grupo se reorganiza nas próximas rodadas.

Um ponto para cada lado, então. Mas só um time vai sentir que teve gosto de vitória.

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2026-06-14 · Cup26 AI