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Noruega x Inglaterra: o time dos 23% quer aprontar de novo

A Noruega já faturou um número improvável contra o Brasil. Nosso modelo dá 23,3% para eles hoje à noite em Miami — e os 27,7% de empate deixam estas quartas de final muito mais perto de um cara ou coroa do que a manchete sugere.

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# Noruega x Inglaterra: o time dos 23% quer aprontar de novo

Seis dias atrás, nosso modelo dava à Noruega 27% de chance contra o Brasil. Erling Haaland marcou duas vezes nos onze minutos finais — cabeceio aos 34 do segundo tempo por cima de Gabriel Magalhães e, aos 45, uma finalização rasteira de fora da área após passe de Schjelderup, cúmplice que entrou no lugar de Antonio Nusa — e a Noruega venceu por 2 a 1. O Brasil, por incrível que pareça, segue sem nunca ter vencido a Noruega.

Hoje à noite, no Hard Rock Stadium, em Miami (17h no horário local, 21:00 GMT), o número é 23,3%.

É isso que o nosso modelo — ratings Elo alimentando um modelo de gols Dixon-Coles, rodado em simulação de Monte Carlo — dá à Noruega contra a Inglaterra nos 90 minutos. A Inglaterra aparece com 49,0%, e o empate com 27,7%. Leia esse número do meio com atenção. Em jogo de mata-mata, empate significa prorrogação e, possivelmente, pênaltis — onde tudo pode acontecer. A Inglaterra é favorita. Mas não está segura.

O conto de fadas roda com combustível de verdade

A primeira Copa do Mundo da Noruega em 28 anos já reescreveu a história do futebol do país duas vezes. A vitória por 2 a 1 sobre a Costa do Marfim, em 30 de junho — chute de Nusa no ângulo aos 39, empate de Amad, gol da vitória de Haaland aos 86 —, foi a primeira vitória norueguesa em fase eliminatória de Copa do Mundo. Em toda a história. O melhor resultado anterior eram as oitavas de final, em 1938 e 1998 — esta última terminando em 0 a 1 para a Itália, em Marselha. Bater o Brasil na sequência levou o time a um lugar onde nenhuma seleção norueguesa jamais esteve: as quartas de final.

Os números de Haaland beiram o absurdo. Sete gols nos seus quatro primeiros jogos de Copa — dois contra o Iraque, dois contra Senegal, dois contra o Brasil, mais o gol decisivo no fim contra a Costa do Marfim —, um a cada 51 minutos. É a melhor estreia em Copas desde os sete gols de Grzegorz Lato em 1974, e o par contra o Brasil esticou sua sequência para 14 jogos consecutivos marcando pela Noruega. Só Messi e Mbappé, com 8 cada, estão à sua frente na corrida pela Chuteira de Ouro; Kane vem logo atrás, com 6.

E o homem que vai liderar o ataque do outro lado cresceu, profissionalmente, na Inglaterra. Haaland construiu a carreira de clube aterrorizando os zagueiros que vai encarar hoje. Ele conhece a defesa inglesa intimamente. A defesa inglesa também o conhece — e essa faca corta dos dois lados.

Inglaterra: vencendo feio, que é justamente o ponto

A campanha da Inglaterra tem sido menos romântica e, talvez por isso, mais convincente. Venceu o Grupo L com 7 pontos — estreia com 4 a 2 sobre a Croácia, empate sem gols com Gana em Boston, depois 2 a 0 sobre o Panamá. Nos dezesseis avos de final, saiu atrás da RD Congo aos sete minutos, em Atlanta, e virou para vencer por 2 a 1. Aí veio o Azteca.

Bater o coanfitrião México por 3 a 2 na Cidade do México — a primeira derrota mexicana em Copas naquele estádio — exigiu tudo. Jude Bellingham marcou duas vezes em 98 segundos, o par mais rápido da Inglaterra em Copas: cabeceio aos 36 após cruzamento de Bukayo Saka, depois finalização de perto em tabela com Kane. O pênalti de Kane aos 15 do segundo tempo o transformou no maior artilheiro da Inglaterra em Copas do Mundo, superando os 10 de Gary Lineker. E, depois do vermelho direto de Jarell Quansah aos 54 (confirmado pelo VAR), a Inglaterra defendeu uma vantagem de um gol com dez homens pelos 36 minutos finais — e segurou.

Thomas Tuchel, em seu primeiro grande torneio no comando, resumiu sem rodeios: "Fica cada vez mais difícil, porque a concorrência fica cada vez melhor."

Os desfalques, porém, pesam. Quansah cumpre o primeiro jogo de uma suspensão de duas partidas. Jordan Henderson está fora desta após cirurgia no braço quebrado no Azteca — embora tenha permanecido na concentração e não esteja descartado para uma volta mais adiante. Reece James é dúvida por problema no posterior da coxa, deixando Tuchel com uma escolha na lateral direita entre Djed Spence e John Stones. Rice e Guehi treinaram normalmente e estão à disposição. A Noruega, em contraste, não tem baixas: nenhum lesionado, nenhum suspenso, Ryerson deve começar jogando — embora a delegação tenha precisado trocar de hotel em Miami em cima da hora.

1981 ainda ecoa

As duas seleções já se enfrentaram 12 vezes, sempre em amistosos ou eliminatórias — a Inglaterra lidera por 7 a 2, com 3 empates, e este é o primeiro confronto entre elas em um grande torneio. Mas a noite mais famosa pertence à Noruega. Oslo, 9 de setembro de 1981: Bryan Robson colocou a Inglaterra na frente em jogo das eliminatórias da Copa, e Roger Albertsen e Hallvar Thoresen viraram. O grito de Bjørge Lillelien — "Maggie Thatcher... your boys took a hell of a beating!" ("seus meninos levaram uma surra daquelas!") — seria eleito depois a maior narração esportiva de todos os tempos. A Noruega repetiu a dose contra a Inglaterra em 1993, no Ullevaal, 2 a 0, a caminho da Copa de 94 nos Estados Unidos, enquanto a Inglaterra de Graham Taylor ficava em casa.

A Inglaterra também faria bem em lembrar do próprio retrospecto em quartas de final: dez jogos, sete derrotas — incluindo a França em 2022, quando Kane desperdiçou um pênalti no fim. Passou desta fase três vezes: 1966, 1990 e 2018.

Kane x Haaland, e o que diz o modelo

Ståle Solbakken diz que o duelo de centroavantes "vai pesar muito na definição do jogo". Kane chamou Haaland de "uma máquina", mas "completamente diferente" como camisa 9; Jamie Carragher apostou numa vitória apertada da Inglaterra por 2 a 1, chamando Haaland de futuro candidato a "maior goleador de todos os tempos".

Nosso modelo não trabalha com narrativas, então aqui vai o que ele diz. O Elo coloca a Inglaterra em 1993 e a Noruega em 1880 — uma distância real, mas não um abismo. Isso se traduz em Inglaterra 49,0%, empate 27,7%, Noruega 23,3% nos 90 minutos. Na corrida pelo título, os 18,5% da Inglaterra são a quarta força, atrás de Espanha (29,0%) e França (28,6%) e logo à frente da Argentina (17,6%); a Noruega aparece com 4,5%. Quem passar pega o vencedor de Argentina–Suíça na semifinal, com França–Espanha do outro lado da chave.

Nossa leitura: a Inglaterra merece o favoritismo — elenco mais profundo, testes mais duros superados e o criador mais em forma do torneio em Saka (3 assistências em 192 minutos, já igualando o recorde inglês em uma única Copa). Mas um azarão de 23,3% vence mais ou menos um jogo a cada quatro, a Noruega acabou de faturar um número quase idêntico contra o Brasil, e os 27,7% de empate significam que o caminho isolado mais provável deste jogo passa por um placar igual no fim. Espere um jogo fechado, decidido por um lance — e não se surpreenda se esse lance pertencer ao homem que marca a cada 51 minutos.

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2026-07-11T09:00:00Z · Cup26 AI