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A Única Seleção Que o Brasil Nunca Venceu Está Esperando no MetLife

A Noruega é a única seleção que o Brasil nunca venceu — e nosso modelo dá ao time de Haaland 27% de chance de manter o tabu vivo no domingo, pelas oitavas de final, no MetLife.

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# A Única Seleção Que o Brasil Nunca Venceu Está Esperando no MetLife

Em algum momento desta semana, na concentração da Noruega, Stale Solbakken certamente contou a história. Marselha, 23 de junho de 1998. Ele estava no elenco, mas não em campo — um reserva assistindo da beira do gramado enquanto Bebeto colocava os então campeões mundiais na frente aos 33 do segundo tempo, Tore Andre Flo empatava cinco minutos depois e Kjetil Rekdal convertia um pênalti aos 44 que eliminou o Marrocos, classificou a Noruega e impôs ao Brasil uma das derrotas mais estranhas de sua história.

Vinte e oito anos depois, Solbakken é o técnico, a Noruega está de volta a uma Copa do Mundo pela primeira vez desde aquela noite, e o chaveamento das oitavas de final entregou justamente o único adversário para quem seu país nunca perdeu: o Brasil. Domingo, 16h (horário do Leste dos EUA), MetLife Stadium, vaga nas quartas de final em jogo.

O retrospecto não é um capricho de amostra pequena. Quatro confrontos entre as duas seleções. A Noruega venceu dois e empatou dois. A Noruega é a única nação que enfrentou o Brasil mais de uma vez no futebol masculino de seleções e nunca perdeu. Isso inclui um atropelo de 4 a 2 em Oslo, em 1997 — Flo marcou duas vezes contra os então campeões do mundo —, um ano antes de Marselha.

O pênalti que 16 câmeras não viram

O resultado de 1998 veio embrulhado numa polêmica que levou dias para se resolver. O árbitro americano Esse Baharmast marcou o pênalti decisivo pelo puxão de camisa de Junior Baiano em Flo — uma falta que nenhuma das 16 câmeras da transmissão flagrou. Baharmast foi tratado como uma vergonha pela imprensa esportiva até que, dias depois, imagens da TV sueca apareceram e provaram que a marcação estava correta. A vitória da Noruega sobre o Brasil sempre foi legítima. O mundo é que demorou a aceitar.

É esse o fantasma que o Brasil carrega para Nova Jersey. O time de Carlo Ancelotti nunca enfrentou a Noruega em jogo eliminatório — a partida de 1998 foi pela fase de grupos —, então o domingo é a primeira vez em que esse pedaço específico da história só pode terminar de duas maneiras nos 90 minutos, mais o que vier depois.

Haaland encara uma potência

Erling Haaland já riscou da lista, nesta Copa, algo que nenhum norueguês jamais havia conseguido: uma vitória em mata-mata de Copa do Mundo. Seu gol aos 41 do segundo tempo garantiu o 2 a 1 sobre a Costa do Marfim, em Arlington, no dia 29 de junho — Antonio Nusa havia aberto o placar aos 39 do primeiro tempo antes de Amad Diallo empatar aos 29 do segundo —, dando à Noruega sua primeira vitória em fase eliminatória de um Mundial. A única participação anterior do país em mata-mata, na era moderna de fase de grupos, terminou com derrota de 1 a 0 para a Itália em 1998.

Agora vem a versão mais difícil da prova: um confronto eliminatório contra uma das potências do esporte. A Copa de Haaland até aqui parece a de um homem com pressa. Dois gols contra o Iraque na goleada de 4 a 1 da estreia, em Boston, no dia 16 de junho — um gol de carrinho aos 29 do primeiro tempo após cruzamento de Estevao Wolfe e, pouco antes do intervalo, um presente após erro da defesa. Outros dois na vitória de 3 a 2 sobre Senegal, neste mesmo MetLife Stadium, no dia 22 de junho. Depois, o gol da classificação contra a Costa do Marfim. Cinco gols no total, metade dos dez da Noruega, dois atrás de Lionel Messi e Kylian Mbappe, líderes da artilharia com sete. No caminho, tornou-se o jogador mais rápido da história a chegar a 60 gols por seleções, atingindo a marca em 53 jogos e superando um recorde que pertencia a Ferenc Puskas desde os anos 1950.

As linhas de abastecimento também importam. Martin Odegaard tem três assistências, Patrick Berg tem duas, e o trio de frente com Sorloth, Haaland e Nusa dá a Solbakken velocidade e imposição física na mesma medida. A única dúvida médica é o lateral-direito Julian Ryerson, que saiu aos 13 minutos do jogo contra Senegal com um problema na coxa, desfalcou a equipe contra França e Costa do Marfim e será reavaliado. A Noruega não tem suspensos. O duelo mais aguardado do dia: Haaland contra a dupla de zaga brasileira formada por Marquinhos e Gabriel Magalhaes.

A única ressalva no dossiê norueguês é a França. Quando encontraram um peso-pesado de verdade na fase de grupos, perderam de 4 a 1, desmontados por um hat-trick de Ousmane Dembele ainda no primeiro tempo. O Brasil certamente estudou esse vídeo.

Brasil: machucado, mas dando um jeito

A Copa do Brasil tem sido menos tranquila do que a tabela sugere. A Seleção venceu o Grupo C com sete pontos — um empate morno de 1 a 1 com o Marrocos na estreia, depois vitórias de 3 a 0 sobre Haiti e Escócia — e precisou de algo extraordinário para passar pelo Japão nos 16 avos de final. Perdendo por 1 a 0 no intervalo, com gol de Sano, em Houston, o time virou o jogo, e o gol da vitória de Gabriel Martinelli, aos 96 minutos, foi o gol decisivo mais tardio no tempo normal de qualquer mata-mata de Copa do Mundo desde que há registros, a partir de 1966.

A lista de lesões é real. Raphinha está fora, com problema no posterior da coxa. Lucas Paqueta está fora com um estiramento de grau dois na coxa, sofrido no jogo contra o Japão, e dificilmente volta a jogar, a menos que o Brasil chegue à final de 19 de julho. Casemiro saiu mancando contra o Japão e é dúvida. São dois criadores e, possivelmente, o pilar do meio-campo fora de um time que persegue um título que não vem desde 2002.

O que sobra ainda é formidável. Vinicius Junior tem quatro gols e uma assistência em quatro partidas, tendo marcado nos três jogos da fase de grupos. Matheus Cunha tem três gols e segue titular no ataque. Bruno Guimaraes lidera o torneio inteiro com quatro assistências até os 16 avos de final. O Brasil marcou 11 gols nos últimos cinco jogos. E Ancelotti tem uma bagagem de mata-mata que pouquíssimos técnicos vivos podem igualar.

O que o nosso modelo enxerga

Nosso modelo — ratings Elo alimentando um modelo de gols Dixon-Coles, processado por simulação de Monte Carlo — precifica os 90 minutos assim: Brasil 44,4%, empate 28,4%, Noruega 27,2%. A diferença de Elo é de 75 pontos: Brasil 1955, Noruega 1880. As casas de apostas também têm o Brasil como favorito claro, então a direção não é polêmica. O tamanho do número da Noruega talvez seja.

Uma chance de 27,2% não é número de saco de pancadas. Ela reflete uma Noruega que marcou dez gols em quatro jogos, tem o camisa 9 mais em forma do torneio e enfrenta um Brasil sem Raphinha e Paqueta, com Casemiro em dúvida. E também reflete, discretamente, o resultado contra a França — o modelo já viu o teto e o chão dos noruegueses.

Este é o enquadramento ao qual sempre voltamos: o modelo diz que há 55,6% de chance de o Brasil não vencer esta partida em 90 minutos. Contra a única seleção que nunca bateu, história e probabilidade apontam na mesma direção — não necessariamente para uma vitória da Noruega, mas para desconforto.

Nossa leitura

O Brasil deve avançar. É o elenco melhor, o elenco mais profundo, e nosso modelo ainda lhe dá 8% de chance de título — quinta maior entre todos, contra 2,5% da Noruega. Mas 44,4% é número de favorito, não de certeza, e tudo neste confronto — as lesões, o tabu, o centroavante do outro lado — diz para tratar o empate como resultado vivo e esperar um jogo apertado até o fim do segundo tempo. A Noruega nunca precisou de prorrogação para incomodar o Brasil. O Brasil talvez precise dela para, enfim, vencer a Noruega.

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2026-07-05T05:30:00Z · Cup26 AI