FRANCE23.6%·SPAIN14.6%·ARGENTINA14.3%·ENGLAND14.0%·BRAZIL8.4%·PORTUGAL6.3%·MOROCCO3.5%·COLOMBIA3.2%·FRANCE23.6%·SPAIN14.6%·ARGENTINA14.3%·ENGLAND14.0%·BRAZIL8.4%·PORTUGAL6.3%·MOROCCO3.5%·COLOMBIA3.2%·
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Marrocos tem mais chances de chegar às quartas de final do que Brasil ou Espanha — e desta vez não é exagero

A defesa de Bounou e a cobrança decisiva de Saibari eliminaram a Holanda nos pênaltis — mas a verdadeira história é um chaveamento que agora dá ao Marrocos mais chances de ir às quartas do que Brasil ou Espanha, ao mesmo tempo em que limita, discretamente, até onde vai o conto de fadas.

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Por volta dos 90:05 em Monterrey, aquilo deixou de ser uma história de nostalgia. O gol de empate de Issa Diop — o segundo gol mais tardio já marcado pelo Marrocos em Copas do Mundo — arrastou a Holanda para a prorrogação e, depois, para o lugar onde o futebol holandês vai para morrer: uma disputa de pênaltis. Yassine Bounou defendeu a cobrança de Crysencio Summerville, a quarta da Holanda, e Ismael Saibari converteu a decisiva. Marrocos 3, Holanda 2 nos pênaltis, depois do empate por 1 a 1 no Estadio BBVA, diante de 51.243 torcedores.

A Holanda agora foi eliminada nos pênaltis em duas Copas do Mundo seguidas — e em cada uma de suas três últimas participações em Copas, desde que a Argentina a despachou nas penalidades tanto na semifinal de 2014 quanto nas quartas de final de 2022, sem contar que nem se classificou em 2018. Segundo a CBS, é também a primeira vez na história que a Holanda não alcança as oitavas de final em uma Copa para a qual se classificou. Havia chegado pelo menos a essa fase em todas as suas onze participações anteriores — nove seguidas desde 1974 —, o que faz desta a eliminação mais precoce da história holandesa em Copas do Mundo.

Aqui está a parte que deveria mudar a forma como você lê a próxima semana do Marrocos: nossa simulação agora aponta o Marrocos com mais chances de chegar às quartas de final do que Brasil ou Espanha. Não é erro de digitação, e não é romantismo. É o chaveamento. E os mesmos números que produzem essa manchete também dizem, com honestidade, onde essa campanha provavelmente para.

Dos três confrontos de oitavas já definidos, o Marrocos tem a mão mais forte — 65,3% contra o Canadá. (modelo cup26matches.com)
Dos três confrontos de oitavas já definidos, o Marrocos tem a mão mais forte — 65,3% contra o Canadá. (modelo cup26matches.com)

Monterrey não foi golpe de sorte

Comece pelo jogo em si, porque a disputa de pênaltis esconde o quanto as chances foram desequilibradas. Cody Gakpo colocou a Holanda na frente aos 72 minutos, mas os números do Opta deram ao Marrocos 1,4 xG em 11 finalizações — cinco chances claras — contra 0,23 xG em 6 finalizações da Holanda. Bart Verbruggen precisou fazer uma defesa à queima-roupa em chute de Soufiane Rahimi na prorrogação só para levar sua equipe aos pênaltis. A disputa em si foi um caos — Neil El Aynaoui acertou o travessão, Justin Kluivert carimbou a trave, Quinten Timber chutou para fora, e até Achraf Hakimi tocou na trave — antes de Bounou e Saibari resolverem.

Havia ali também uma camada de história. O elenco do Marrocos tem três jogadores nascidos na Holanda — Sofyan Amrabat, Noussair Mazraoui e Anass Salah-Eddine — fruto de uma operação estruturada de garimpo marroquino no futebol holandês apelidada de "Plano Afellay", montada depois que a Holanda absorveu talentos de origem marroquina como Ibrahim Afellay, Khalid Boulahrouz e Adam Maher. O Marrocos não apenas venceu a Holanda; venceu, em parte, com jogadores que o futebol holandês formou.

O número, e a razão honesta por trás dele

Nossa simulação de Monte Carlo com 50.000 execuções (Elo mais Dixon-Coles, atualizada em 3 de julho) dá ao Marrocos 65,3% de chance de chegar às quartas de final. Entre todas as seleções ainda vivas, só França (90,0%), Argentina (73,3%) e Inglaterra (68,9%) aparecem acima. O Brasil está em 61,4%. A Espanha, em 59,7%.

O restante do chaveamento ainda está se definindo enquanto os últimos jogos dos dezesseis avos de final são disputados, mas esses três confrontos já estão marcados — Marrocos, Brasil e Espanha sabem exatamente quem vão enfrentar. Para eles, portanto, esses números são simplesmente a probabilidade de cada um vencer uma única partida. O Marrocos pega o Canadá em Houston, no sábado: 65,3% a 34,7%. O Brasil pega a Noruega no MetLife, no domingo: 61,4% a 38,6%. A Espanha pega Portugal em Arlington, na segunda: 59,7% a 40,4%.

Olhe para os adversários e a ordem se explica sozinha. O Brasil tirou Erling Haaland, que empurrou para as redes o cruzamento de Sander Berge aos 86 minutos para bater a Costa do Marfim por 2 a 1 — seu quinto gol no torneio, um atrás de Lionel Messi na corrida pela Chuteira de Ouro, e a primeira vitória da Noruega em mata-mata de Copa do Mundo. A Espanha tirou Portugal, um confronto com rivalidade recente de verdade: a Espanha lidera o retrospecto geral por 17 vitórias a 6, mas Portugal venceu o duelo mais recente, a final da Nations League de 2025, nos pênaltis. Portugal acabou de virar sobre a Croácia por 2 a 1; a Espanha passeou contra a Áustria: 3 a 0. É um jogo aberto, não um atropelo anunciado.

O Marrocos tirou o Canadá. Justiça seja feita — o gol de Stephen Eustaquio nos acréscimos contra a África do Sul deu aos coanfitriões a primeira vitória de mata-mata da sua história em Copas e a primeira classificação às oitavas de final. Mas um modelo não dá nota por narrativa, e ele aponta o Canadá como o adversário mais fraco entre todos os que os principais candidatos enfrentam nesta fase.

Portanto, a afirmação da manchete é verdadeira e deliberadamente nada glamourosa. O Marrocos não está avaliado acima de Brasil ou Espanha como equipe. Recebeu um confronto mais macio. O mecanismo é esse, e nada mais.

Onde o conto de fadas encontra o teto

As chances do Marrocos fase a fase: o sorteio carrega você por uma rodada, não por quatro. (modelo cup26matches.com)
As chances do Marrocos fase a fase: o sorteio carrega você por uma rodada, não por quatro. (modelo cup26matches.com)

A mesma simulação que favorece o Marrocos nesta fase é dura sobre as fases seguintes. A probabilidade de semifinal da Espanha é de 42,2% e a do Brasil, de 30,9% — ambas acima dos 23,0% do Marrocos. Em outras palavras: o Marrocos tem mais chances do que Brasil ou Espanha de estar nas quartas de final, e menos chances do que qualquer um dos dois de estar na semi. As duas coisas são verdadeiras ao mesmo tempo, e quem só te vende metade disso está te vendendo alguma coisa.

Esses 23,0%, ainda assim, significam algo. É a maior probabilidade de semifinal entre todas as seleções fora do tradicional grupo dos seis grandes — acima de Colômbia (21,4%), Bélgica (18,5%), Noruega (15,2%), Estados Unidos (14,2%), México (12,5%) e Canadá (7,5%). O Marrocos é, pelos números, a seleção não tradicional mais forte que resta no torneio. E isso não é resquício de 2022 no modelo. As evidências da fase de grupos nesta Copa foram reais: empate por 1 a 1 com o Brasil, vitória por 1 a 0 sobre a Escócia, vitória por 4 a 2 sobre o Haiti — sete pontos, igualado com o Brasil, atrás apenas no saldo de gols.

Mas o teto também está quantificado: 9,1% de chance de chegar à final, 3,5% de ser campeão. O segundo ato do conto de fadas — uma segunda quarta de final consecutiva, repetindo o patamar da campanha de 2022 que bateu a Espanha nos pênaltis e depois Portugal por 1 a 0 com o gol de cabeça de Youssef En-Nesyri — é genuinamente provável. O final feliz, quase certamente, não.

O sábado é tudo

O que traz tudo de volta a Houston, sábado, 13h no horário da costa leste dos EUA, no NRG Stadium. Uma chance de 65,3% significa que o Canadá vence esse jogo mais ou menos uma vez a cada três — e o Canadá chega com um estádio inteiro empurrando um país anfitrião que acabou de aprender a ganhar um mata-mata no último suspiro. O time de Mohamed Ouahbi também acabou de jogar 120 minutos mais uma disputa de pênaltis; a recuperação pesa.

O que o Marrocos não pode se permitir é tratar o número como veredicto. Em 2022, foi a grande surpresa do torneio. Em 2026, os papéis se inverteram discretamente: por uma fase, pelo menos, o Marrocos é o favorito com tudo a perder, enquanto Brasil e Espanha suam nos confrontos genuinamente difíceis. Se o Marrocos der conta disso — o trabalho menos romântico do futebol, vencer o time que você tem obrigação de vencer —, o chaveamento já fez o resto do serviço.

Depois, a matemática volta a ficar difícil, e vamos descobrir se este time é uma história sobre um sorteio, ou algo mais.

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2026-07-03 · Cup26 AI